Contos Infantis
Rio/Brasil -
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Charles Perrault
Cinderela era filha de um comerciante rico, porém quando seu pai morreu, a madrasta malvada e as duas filhas fizeram Cinderela de criada. Um dia houve um baile, mas Cinderela não poderia ir, pois, tinha de limpar a casa e não tinha um vestido bonito para usar na festa. Sua fada madrinha apareceu e limpou toda a casa num piscar de olhos e deu um vestido lindo para Cinderela, porém, ele só duraria até meia noite. O príncipe se apaixonou por Cinderela e, na volta para casa, ela deixou cair na escada seu sapatinho de cristal. Querendo encontrá-la, o príncipe ordenou que todas as moças do reino experimentassem o sapato. Cinderela experimentou e o sapato serviu. A jovem e o príncipe se casaram e viveram felizes para sempre.
Irmãos Grimm Branca de Neve e os sete Anões
Relata a história da princesa Branca de Neve, assim chamada por ter a pele muito branca, os lábios vermelhos como o sangue e os cabelos negros como o ébano e que vivia num lindo castelo com seu pai e sua mãe. Havia um príncipe do reino vizinho que muito a admirava, mas que secretamente. Passado algum tempo, o rei enviuvou e voltou a casar com uma mulher belíssima, mas extremamente cruel e, além disso, feiticeira que desde o primeiro dia tratou muito mal a menina. Quando o rei morreu, a feiticeira, vendo que a Branca de Neve possuiria uma beleza que excederia a sua, obrigou-a a fazer todo o trabalho no castelo. A rainha tinha um espelho mágico e todos os dias lhe perguntava quem era a mulher mais bonita do mundo. Todas às vezes o espelho respondia que era ela. Um dia, ao fazer a habitual pergunta, o espelho respondeu que a rainha era bela, mas que Branca de Neve era mais bela do que ela. A inveja da malvada rainha a fez mandar um caçador levar Branca de Neve, ao bosque, e lá matá-la. Como prova de que havia cumprido este ato, ordenou-lhe que trouxesse o coração de Branca de Neve. Mas o caçador teve pena da princesa e poupou-lhe a vida, ordenou-lhe que fugisse. Para comprovar que havia obedecido a ordens da madrasta, entregou-lhe o coração de um veado. Branca de Neve andou pelo bosque e, quando estava muito cansada, adormeceu profundamente numa clareira. No dia seguinte, quando acordou, estava rodeada pelos pequenos animais da floresta, que a levaram até uma casinha no centro do bosque. Dentro, tudo era pequeno: mesas, cadeiras, caminhas. Por todo o lado reinava a desordem e tudo estava muito sujo. Ajudada pelos animaizinhos, deixou a casa toda arrumada e depois foi dormir. Ao anoitecer, chegaram os donos da casa. Eram os sete anõezinhos, voltando da mina de diamantes onde trabalhavam. Quando a princesinha acordou, eles se apresentaram: Soneca, Dengoso, Dunga (o único que não tinha barbas e não falava), Feliz, Atchim, Mestre e Zangado. Ao serem informados dos problemas da princesa, eles resolveram tomar conta dela e deixam-na ficar. A malvada rainha não tardou, por meio do seu espelho mágico, a saber, que Branca de Neve estava viva e continuava a ser a mulher mais bonita do mundo. Decidiu então acabar pessoalmente com a vida da princesinha. Disfarçou-se de pobre-velhinha-indefesa, envenenou uma maçã e foi até a casinha dos anões. Quando eles saíram para trabalhar, ofereceu a maçã envenenada e Branca de Neve mordeu-a e caiu adormecida. Quando os anõezinhos regressaram, pensaram que Branca de Neve tivesse morrido. De tão linda, eles não tiveram coragem de enterrá-la. Então fizeram um caixão de diamantes. Estavam junto da princesa adormecida, quando por ali passou o príncipe do reino vizinho que há muito tempo a procurava. Ao ver a bela Branca de Neve deitada no seu leito, aproximou-se dela e deu-lhe um beijo de amor. Este beijo quebrou o feitiço e a princesa despertou. O príncipe pediu a Branca de Neve que casasse com ele. E o feliz casal encaminhou-se para o palácio do príncipe e foram felizes para sempre...
Irmãos Grimm
Relata a aventura dos irmãos João e Maria, filhos de um pobre lenhador, que de acordo com esposa, decide largá-los na floresta porque a família não tem mais condições de mantê-los. Na procura pelo caminho de volta, as crianças encontram uma casa coberta de guloseimas e, com fome, começam a comer os doces. São recolhidos por uma bruxa que não tinha boa intenção com as crianças. Mesmo dando de comer a elas, a bruxa queria matá-los. Porém, espertas, as crianças é que acabam enganando a bruxa. Finalmente, João e Maria escapam e encontram o caminho de volta para casa, levando consigo tudo o que de melhor tinha na casa da bruxa. Irmãos Grimm Rapunzel
Um casal sem filhos que queria uma criança vivia ao lado de um jardim murado que pertencia a uma bruxa. A esposa, no fim da gravidez, viu repolho no jardim e o desejou obsessivamente, ao ponto da morte. Por duas noites, o marido saiu e invadiu o jardim da bruxa para recolher para a esposa, mas na terceira noite, enquanto escalava a parede para retornar para casa, a bruxa apareceu e acusou-o de furto. O homem implorou por misericórdia, e a mulher velha concordou em absolvê-lo desde que a criança lhe fosse entregue ao nascer. Desesperado, o homem concordou; uma menina nasceu, e foi entregue a bruxa, que a nomeou Rapunzel. Quando Rapunzel alcançou doze anos, a bruxa trancafiou-a numa torre alta, sem portas ou escadas, com apenas um quarto no topo. Quando a bruxa queria subir a torre, mandava que Rapunzel estendesse suas tranças, e ela colocava seu cabelo num gancho de modo que a bruxa pudesse subir por ele. Um dia, um príncipe que cavalgava no bosque próximo ouviu Rapunzel cantando na torre. Extasiado pela voz, foi procurar a menina, e encontrou a torre, mas nenhuma porta. Foi retornando frequentemente, escutando a menina cantar, e um dia viu uma visita da bruxa, assim aprendendo como subir a torre. Quando a bruxa foi embora, pediu que Rapunzel soltasse suas tranças e, ao subir, pediu-a em casamento. Rapunzel concordou. Juntos fizeram um plano: o príncipe viria cada noite (assim evitando a bruxa que a visitava pelo dia), e trar-lhe-ia seda, que Rapunzel teceria gradualmente em uma escada. Antes que o plano desse certo, porém, Rapunzel tolamente delatou o príncipe. Na primeira edição dos Contos de Grimm, Rapunzel pergunta inocentemente porque seu vestido estava começando a ficar apertado em torno de sua barriga, revelando tudo para a bruxa (que soube que Rapunzel estava grávida, o que significava que um homem se encontrara com ela). Em edições subsequentes, Rapunzel perguntou distraidamente por que era tão mais fácil levantar o príncipe do que a bruxa. Na raiva, a bruxa cortou cabelo de Rapunzel e expulsou-a da torre, para que ela vivesse sozinha. Quando o príncipe chegou naquela noite, a bruxa deixou as tranças caírem para transportá-lo para cima. O príncipe percebeu horrorizado que Rapunzel não estava mais ali; a bruxa disse que nunca mais a veria e empurrou-o até os espinhos de baixo, que o cegaram.
Hans Christian Andersen
Um filhote de cisne é chocado no ninho de uma pata. Por ser diferente de seus irmãos, o pobrezinho é perseguido, ofendido e maltratado por todos os patos e galinhas do terreiro. Um dia, cansado de tanta humilhação, ele foge do ninho. Durante sua jornada, ele vai parar em vários lugares, mas é mal recebido em todas. O pobrezinho ainda tem de aguentar o frio do inverno. Mas, quando finalmente chega a primavera, ele abre suas asas e se une a um majestoso bando de cisnes, sendo então reconhecido como o mais belo de todos.
Hans Christian Andersen
Nele, uma pequena sereia, apaixonada por um homem mortal, recorre uma bruxa para que possa assumir uma forma humana e assim se aproximar de seu amado. No processo acaba abrindo mão de sua imortalidade e perdendo a capacidade de falar. Para que o encantamento se tornasse permanente, a pequena sereia deveria conquistar o amor de seu escolhido; caso contrário, haveria de se transformar em espuma do mar, algo mais terrível que a própria morte, uma vez que sereias não têm alma, não podendo assim morrer. A sereiazinha acaba falhando em seu propósito. Comovida com sua situação, suas irmãs fazem um trato com a bruxa do mar. Em troca de suas belas cabeleiras, a bruxa lhes dá uma faca, com a qual a pequena sereia deveria matar seu amado. Desta forma, estaria livre de seu triste fim. Contudo, ela, em nome do amor, abdica da própria existência e, ao fim, desaparece nas águas em forma de espuma do mar. Hans Christian Andersen
Era uma vez um príncipe que queria se casar com uma princesa, mas uma princesa de verdade, de sangue real mesmo. Viajou pelo mundo inteiro, a procura da princesa dos seus sonhos, mas todas as que encontravam tinham algum defeito. Não é que faltassem princesas, não: havia de sobra, mas a dificuldade era saber se realmente eram de sangue real. E o príncipe retornou ao seu castelo, muito triste e desiludido, pois queria muito casar com uma princesa de verdade. Uma noite desabou uma tempestade medonha. Chovia desabaladamente, com trovoadas, raios, relâmpagos. Um espetáculo tremendo! De repente bateram a porta do castelo, e o rei em pessoa foi atender, pois os criados estavam ocupados enxugando as salas cujas janelas foram abertas pela tempestade. Era uma moça, que dizia ser uma princesa. Mas estava encharcados de tal maneira, os cabelos escorrendo, as roupas grudadas ao corpo, os sapatos quase desmanchando... que era difícil acreditar que fosse realmente uma princesa real. A moça tanto afirmou que era uma princesa que a rainha pensou numa forma de provar se o que ela dizia era verdade. Ordenou que sua criada de confiança empilhasse vinte colchões no quarto de hóspedes e colocou sob eles uma ervilha. Aquela seria a cama da “princesa”. A moça estranhou a altura da cama, mas conseguiu, com a ajuda de uma escada, se deitar. No dia seguinte, a rainha perguntou como ela havia dormido.
Charles Perrault
Um moleiro, que tinha três filhos, repartindo a hora da morte seus únicos bens, deu ao primogênito o moinho; ao segundo, o seu burro; e ao mais moço apenas um gato. Este último ficou muito descontente com a parte que lhe coube da herança, mas o gato lhe disse: — Meu querido amo, compra-me um par de botas e um saco e, em breve, te provarei que sou de mais utilidade que um moinho ou um asno. Assim, pois, o rapaz converteu todo o dinheiro que possuía num lindo par de botas e num saco para o seu gatinho. Este calçou as botas e, pondo o saco à costa encaminhou-se para um sítio onde havia uma coelheira. Quando ali chegou, abriu o saco, meteu-lhe uma porção de farelo miúdo e deitou-se no chão fingindo-se morto. Excitado pelo cheiro do farelo, o coelho saiu de seu esconderijo e dirigiu-se para o saco. O gato apanhou-o logo e levou-o ao rei, dizendo-lhe:
— Que lindas propriedades tu tens!
O gato continuava a correr a frente da carruagem; atravessando um espesso bosque, chegou à porta de um magnífico palácio, no qual vivia um ogro que era o verdadeiro dono dos campos semeados. O gatinho bateu à porta e disse ao ogro que a abriu: — Meu querido ogro tem ouvido por aí umas histórias a teu respeito. Dize-me lá: é certo que te podes transformar no que quiseres? — Certíssimo — respondeu o ogro, e transformou-se num leão. — Isso não vale nada — disse o gatinho. - Qualquer um pode inchar e aparecer maior do que realmente é. Toda a arte está em se tornar menor. Poderias, por exemplo, transformar-te em rato? — É fácil — respondeu o ogro, e transformou-se num rato. O gatinho deitou-lhe logo as unhas, comeu-o e desceu logo a abrir a porta, pois naquele momento chegava à carruagem real. E disse: — Bem vindo seja, senhor, ao palácio do marquês de Carabás. — Olá! — disse o rei — que formoso palácio tens tu! Peço-te a fineza de ajudar a princesa a descer da carruagem. O rapaz, timidamente, ofereceu o braço à princesa e o rei murmurou-lhe ao ouvido: — Eu também era assim tímido, nos meus tempos de moço.
— Jovem, és tão tímido como eu era nos meus tempos de moço.
Mas percebo que gostas muito da princesa, assim como ela gosta de Então, o moço pediu a mão da princesa, e o casamento foi celebrado com a maior pompa. O gato assistiu, calçando um novo par de botas com cordões encarnados e bordados a ouro e preciosos diamantes.
Hans Christian Andersen
Um bandido, se fazendo passar por um alfaiate de terras distantes, diz a um determinado rei que poderia fazer uma roupa muito bonita e cara, mas que apenas as pessoas mais inteligentes e astutas poderiam vê-la. O rei, muito vaidoso, gostou da proposta e pediu ao bandido que fizesse uma roupa dessas para ele. O bandido recebeu vários baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros e exóticos, exigidos por ele para a confecção das roupas. Ele guardou todos os tesouros e ficou em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis, que todas as pessoas alegavam ver, para não parecerem estúpidas. Até que um dia, o rei se cansou de esperar, e ele e seus ministros quiseram ver o progresso do suposto "alfaiate". Quando o falso tecelão mostrou a mesa de trabalho vazia, o rei exclamou: "Que lindas vestes! Você fez um trabalho magnífico!", embora não visse nada além de uma simples mesa, pois dizer que nada via seria admitir na frente de seus súditos que não tinha a capacidade necessária para ser rei. Os nobres ao redor soltaram falsos suspiros de admiração pelo trabalho do bandido, nenhum deles querendo que achassem que era incompetente ou incapaz. O bandido garantiu que as roupas logo estariam completas, e o rei resolveu marcar uma grande parada na cidade para que ele exibisse as vestes especiais. A única pessoa a desmascarar a farsa foi uma criança.
Charles Perrault
Um Rei e uma Rainha que há muito desejavam ter filhos. Quando, por fim, a Rainha deu a luz uma menina, decidiram celebrar o acontecimento com uma grande festa. Foram convidadas sete fadas e cada uma delas concedeu uma prenda especial à princesinha. A fada mais nova concedeu-lhe o dom de ser a mais bela do mundo; a seguinte, que ela fosse espirituosa como um anjo; a terceira, que ela fosse graciosa em tudo o que fizesse; a quarta, que ela dançasse melhor que ninguém; a quinta, que ela cantasse lindamente; a sexta, que ela tocasse perfeitamente qualquer instrumento musical. Quando a sétima fada ia conceder o seu dom, irrompeu na sala uma velha fada a quem o Rei e a Rainha se tinham se esquecido de enviar um convite. A fada malvada estava tão furiosa que, logo ali, fez a terrível profecia de que a princesa, ao completar 16 anos, se picaria num fuso e morreria. E com uma terrível gargalhada desapareceu, deixando todos a chorar. Porém, nesse momento, aproximou-se a fada mais nova e disse-lhes:
O Rei mandou imediatamente proclamar pelo reino um édito especial, na esperança de poder proteger a princesa da maldição.
- Todas as rocas do reino deverão ser queimadas, sob pena de prisão! Passaram 15 anos. A princesa cresceu e tornou-se a mais bela menina do reino, tal como as boas fadas tinham predito. Já ninguém se lembrava da horrível maldição. No dia em que fazia 16 anos, a jovem princesa andava a brincar com o seu cãozinho e foi atrás dele até à cima da torre e encontrou uma velhinha junto a um objecto estranho. A princesa ficou tão curiosa que perguntou:
- O que é que estás a fazer com essa roda?
Foi só? tardinha que o Rei a encontrou. Ele ficou profundamente desgostoso, mas a jovem fada entrou e disse: - Não se preocupe! A princesa vai apenas dormir muitos anos. E eu vou adormecê-los a todos para que a princesa não se sinta sozinha quando acordar. E, conforme ia agitando a varinha mágica, todos os habitantes do palácio foram adormecendo, num profundo e mágico sono. Dentro do castelo a vida parou. Com o passar dos anos, as plantas foram crescendo em redor do castelo criando um muro invencível e espalhou-se o boato de que lá dentro vivia um terrível dragão. Um príncipe que ali passava quis saber o que lá havia de verdade. Um velhote avançou e disse-lhe: - Quando era pequeno o meu pai disse-me que tinha ouvido o avô contar-lhe que no castelo dormia uma princesa encantada. O príncipe, que era valente, ficou excitadíssimo com a notícia e meteu-se a caminho do castelo. Foi com grande dificuldade que o príncipe conseguiu abrir caminho para entrar. Mal conseguia cortar as trepadeiras elas voltavam a crescer ainda mais fortes.
Com o auxílio desta espada o príncipe lá foi abrindo caminho para o interior do castelo quando, de repente, um dragão enorme o atacou com o seu bafo ardente. O príncipe protegeu-se das chamas com a espada e um raio de sol refletiu-se na cruz do seu punho transformando-se numa luz fortíssima. O dragão ficou ofuscado pelo clarão e o príncipe aproveitou para lançar a espada, que atravessou o peito do dragão. Este se transformou na velha fada má e morreu ali mesmo. Mal o corpo da bruxa desapareceu, as plantas que cobriam o castelo também desapareceram e o sol voltou a brilhar. Ficou tudo florido e os pássaros começaram a cantar. O palácio vivia de novo a Primavera ao fim de 100 anos. O príncipe estava estupefato. E a fada veio dizer-lhe: - Temos estado à tua espera. Agora tens de ir acordar a princesa. Ele dirigiu-se ao castelo e encontrou os guardas e todos os cortesãos a dormir. Por fim entrou num quarto onde estava uma princesa, lindíssima. Ele pegou-lhe na mão e beijou-lhe as pálpebras. E nesse momento ela acordou de um sono de 100 anos. A maldição tinha passado e todos os habitantes do castelo começaram a acordar também. O Rei fez uma grande festa para o príncipe e agradeceu-lhe dizendo:
- Pode pedir-nos tudo o que quiseres. O casamento do valoroso príncipe e da bela princesa foi abençoado por todos no reino. As sete fadas vieram ao casamento e, desta vez, todas desejaram ao feliz casal a chegada breve de uma criança.
Uma Mãe, que era muito má (severa e rude) para os filhos, deu de presente a sua
filhinha um par de brincos de ouro. Em todo lugar que chegava, botava o surrão no chão e dizia:
Canta, canta meu surrão, E o surrão cantava:
Neste surrão me meteram,
Todo mundo ficava admirado e dava dinheiro ao velho. As moças foram, abriram o surrão e tiraram a menina que já estava muito fraca, quase para morrer. Em lugar da menina, encheram o surrão de excrementos. No dia seguinte, o velho acordou, pegou no surrão, botou a costas e foi-se embora. Adiante em uma casa, perguntou se queriam ouvir um surrão cantar. Botou o surrão no chão e disse:
Canta,canta meu surrão,
Nada. O surrão calado. Repetiu ainda. Nada.
Era uma vez,
dois compadres corcundas, um Rico outro Pobre. O povo do lugar vivia zombando da
corcunda do Pobre e não reparava no Rico. A situação do Pobre andava preta, e
ele era caçador.
Saiu andando, andando, no rumo da cantiga que não parava. Depois de muito andar,
chegou numa clareira iluminada pelo luar, e viu uma roda de gente esquisita,
vestida de diamantes que brilhavam com a lua. Velhos, rapazes, meninos, todos
cantavam e dançavam de mãos dadas, o mesmo verso, sem mudar: Tremendo de medo, escondeu-se numa moita e ficou assistindo aquela cantoria que era sempre a mesma, durante horas. Depois ficou mais calmo e foi se animando, e como era metido a improvisador, entrou no meio da cantoria entoando:
Segunda, Terça-feira,
O Velho achou graça e todo aquele povo esquisito riu também. - Pois bem - disse o Velhão - uma mão lava a outra. Em troca do verso eu te tiro essa corcunda e esse povo te dá um Bisaco novo!
O Caçador meteu-se na estrada e foi embora. Assim que o sol nasceu abriu o bisaco e o encontrou cheio de pedras preciosas e moedas de ouro. No outro dia comprou uma casa com todos os móveis, comprou uma roupa nova e foi à missa porque era domingo. Lá na igreja encontrou o compadre rico, também corcunda. Este quase caiu de costas, assombrado com a mudança. Mais espantado ficou quando o compadre, antes pobre e agora rico, contou tudo que aconteceu ao compadre rico.
Esperou uns dias e depois se largou no mato. Tanto fez que ouviu a cantoria e
foi na direção da toada. Achou o povo esquisito dançando numa roda e cantando:
O Rico não se conteve. Abriu o par de queixos e foi logo berrando:
Sexta, Sábado e Domingo, Calou-se tudo novamente. O povo esquisito voou para cima do atrevido e o levaram para o meio da roda onde estava o velhão. Esse gritou, furioso: - Quem mandou se meter onde não é chamado seu corcunda besta? Você não sabe que gente encantada não quer saber de sexta-feira, dia em que morreu o filho do alto; sábado, dia em que morreu o filho do pecado, e domingo, dia em que ressuscitou quem nunca morre? Não sabia? Pois fique sabendo! E para que não se esqueça da lição, leve a corcunda que deixaram aqui e suma-se da minha vista senão acabo com seu couro! O Velhão passou a mão no peito do corcunda e deixou ali a corcunda do compadre pobre. Depois deram uma carreira no homem, que ele não sabe como chegou a casa.
Um menino foi buscar lenha na floresta com seu burrico e levou junto seu cachorro de estimação. Chegando ao meio da mata, o menino juntou um grande feixe de lenha, olhou para o burro, e exclamou: - Vou colocar uma carga de lenha de lascar nesse burro! Então o Jumento virou-se para ele e respondeu: - É Claro, não é você quem vai levar! O Menino muito admirado com o fato de ter o burro falado correu e foi direto contar tudo ao seu pai. Ao chegar a casa, quase sem fôlego, ele disse: - Pai, eu estava na mata juntando lenha e depois de preparar uma carga para trazer, e quando eu disse que ia colocá-la na garupa do burro, acredite se quiser, ele se virou para mim e disse: "É Claro, não é você quem vai levar!" O Pai do menino olhou-o de cima para baixo, e meio desconfiado o repreendeu: Você está dando para mentir agora. Onde já se viu tal absurdo, animais não falam! Nesse momento, o cachorro que estava ali presente, saiu em defesa do garoto e falou: Foi verdade, eu também estava lá e vi tudinho! Assustado o pobre camponês, julgando que o animal estivesse endiabrado, pegou um machado que estava encostado na parede e o ergueu para ameaçá-lo. Nesse momento, aconteceu algo ainda mais curioso. O machado começou a tremer em suas mãos, e de dentro dele saiu uma voz que soava temerosa: O senhor tenha cuidado, esse cachorro pode me morder!
Cansada de ser enganada pela raposa e de não poder segurá-la, a onça resolveu
atraí-la a sua furna. Fez para esse efeito correr a notícia de que tinha morrido
e deitou-se no meio da sua caverna, fingindo-se de morta.
Furiosa, a onça resolveu apanhá-la ao beber água. Havia seca no sertão e somente uma cacimba ao pé de uma serra tinha ainda um pouco de água. Todos os animais selvagens eram obrigados e beber ali. A onça ficou a espera da adversária, junto da cacimba, dia e noite. Nunca a raposa sentira tanta sede. Ao fim de três dias já não aguentava mais. Resolveu ir beber, usando duma astúcia qualquer. Achou um cortiço de abelhas, furou-o e com o mel que dele escorreu untou todo o seu corpo. Depois, espojou-se num monte de folhas secas, que se pregaram aos seus pelos e cobriram-na toda. Imediatamente, foi à cacimba. A onça olhou-a bem e perguntou:
Desceu a rampa do bebedouro, meteu-se na água, sorvendo-a com delícia e a onça lá em cima, desconfiada, vendo-a beber demais, como quem trazia uma sede de vários dias, dizia:
Mas a água amoleceu o mel e as folhas foram caindo às porções. Quando já havia bebido o suficiente, a última folha caíra, a onça reconhecera a inimiga esperta e pulara ferozmente sobre ela, mas a raposa conseguira fugir.
Aladim e a Lâmpada Maravilhosa
"Aladim era filho de um pobre alfaiate que vivia numa cidade da China. Quando seu pai morreu, ele era muito jovem, e sua mãe teve que fiar algodão, dia e noite, para sustentá-lo. Um dia, quando tinha mais ou menos quinze anos, estava brincando na rua, com alguns companheiros. Um estranho que passava parou para olhá-lo. Era um mágico africano que necessitava da ajuda de um jovem. Percebeu logo que Aladim era exatamente quem ele procurava.
- Acabo de encontrar um senhor que me disse ser irmão de papai. Deu-me este dinheiro e mandou dizer-lhe que jantaria aqui hoje. A senhora ficou muito admirada, mas saiu para fazer compras e passou o dia preparando o jantar. Exatamente quando tudo ficou pronto, o mágico bateu a porta. Entrou trazendo embrulhos de frutas e doces. Cumprimentou a mãe de Aladim e, com lágrimas nos olhos, pediu-lhe que indicasse o lugar em que o irmão costumava sentar-se. Durante o jantar, pôs-se a descrever suas viagens. - Minha boa irmã, começou ele. Não me admiro de que você nunca me tivesse visto. Estiveram quarenta anos fora deste país. Viajei por muitos lugares. Estou realmente triste por saber da morte de meu irmão, mas é um conforto saber que ele deixou um filho tão encantador!! Virando-se para Aladim, perguntou-lhe: - Que faz você? Trabalha no comércio? Aladim abaixou a cabeça, sem ter o que dizer. Sua mãe, então, explicou: - Infelizmente ele nada faz. Passa os dias desperdiçando o tempo a brincar na rua. - Isto não vai bem, meu sobrinho, disse o mágico. É preciso pensar num meio de ganhar a vida. Eu gostaria de ajudá-lo. Se você quiser, abrirei uma loja para você. Aladim ficou muito contente com a ideia. Disse ao mágico que não havia nada que o encantasse mais. - Bem, resolveu o homem. Amanhã sairemos e comprar-lhe-ei roupas elegantes. Depois, então, pensaremos na loja. No dia seguinte, ele voltou, como havia prometido, e levou Aladim a uma casa que vendia roupas lindas. O menino escolheu as que mais lhe agradaram. Depois deram um passeio pela cidade. À noite, foram a uma festa. Quando a mãe de Aladim o viu voltar tão elegante e o ouviu contar tudo que haviam feito, ficou muito contente. - Bondoso irmão, disse ao mágico, não sei como agradecer-lhe tanta bondade. - Aladim é um bom rapaz, disse ele, e bem merece que se faça tudo por ele. Algum dia nos orgulharemos dele. Amanhã virei buscá-lo, para dar um passeio no campo. Depois de amanhã, então, abriremos a loja. No dia seguinte, Aladim levantou-se muito cedo e foi ao encontro do tio. Andaram muito até que chegaram a uma fonte de água clara. O mágico abriu um embrulho de frutas e bolos. Quando acabaram de comer, continuaram a andar até que chegaram a um vale estreito, cercado de montanhas. Era este o lugar que o homem esperava encontrar. Ali havia levado Aladim por um motivo secreto. - Não iremos adiante, comunicou ao rapaz. Mostrarei a você algumas coisas que ninguém ainda viu. Enquanto risco um fósforo, cate todos os gravetos que encontrar para acender o fogo. Aladim num instante arranjou uma pilha de gravetos, aos qual o mágico atiçou fogo. Quando as chamas cresceram, atirou-lhes um pouco de incenso e pronunciou umas palavras mágicas que Aladim não entendeu. Imediatamente a terra se abriu a seus pés e apareceu uma grande pedra, em cuja parte superior havia uma argola de ferro. Aladim estava tão assustado que teria fugido se o mágico não o detivesse.
Apareceu uma escada que conduzia a uma porta.
Jogou fora o pavio e o azeite. Finalmente, prendeu a lâmpada no cinturão. Já estava decidido a voltar, mas, olhando para as árvores, ficou encantado com as frutas. Eram de cores diferentes: brancas, vermelhas, verdes, azuis, roxas, todas cintilantes. Na verdade, não eram frutas, mas pedras preciosas: pérolas, diamantes, rubis, esmeraldas, safiras e ametistas. Aladim, não sabendo seu valor, pensou que eram simples pedaços de vidro. Ficou, entretanto, encantado com as cores e apanhou algumas de cada cor. Encheu os bolsos e também a bolsa de couro que trazia presa ao cinturão. Assim carregado de tesouros, correu pelos salões e logo chegou ?boca da caverna. Viu o tio que o esperava no alto da escada e pediu-lhe:
Desesperado, tentou atingir novamente a porta que conduzia aos salões, para ver se conseguia chegar ao pomar. A porta, porém, estava fechada. Durante dois dias, Aladim permaneceu na escuridão, sem comer, nem beber. Por fim, juntou as mãos para rezar e, ao fazê-lo, esfregou o anel que o mágico tinha posto em seu dedo. No mesmo instante, um gênio, enorme e assustador, surgiu da terra, dizendo:
- Que deseja? Sou o escravo do anel e cumprirei suas ordens. - Tire-me daqui. Logo a terra se abriu e ele se encontrou lá fora. Muito atordoado foi andando para casa e, ao chegar, caiu desfalecido junto à porta. Quando voltou a si, contou ?mãe o que lhe havia acontecido. Mostrou-lhe a lâmpada e as frutas que tinha trazido. Pediu-lhe, depois, alguma coisa para comer, ao que ela respondeu: - Meu filho, nada tenho em casa, mas fiei algum algodão e irei vendê-lo.
- Em vez do algodão, mamãe, venda a lâmpada, propôs o menino.
- Sou o gênio da lâmpada e obedecerei à pessoa que a estiver segurando. - Arranje-me alguma coisa para comer.
O gênio desapareceu e voltou equilibrando na cabeça uma bandeja de prata na qual
havia doze pratos, também de prata, cheios das melhores iguarias. Havia ainda
dois pratos e dois copos vazios. Colocou a bandeja na mesa e desapareceu outra
vez. Aladim e sua mãe sentaram-se e comeram com grande prazer. Nunca haviam
provado comida tão gostosa. Depois de comerem tudo, venderam os pratos,
conseguindo, assim, dinheiro que deu para viverem por algum tempo com bastante
conforto.
- Bem, vou contar-lhe um segredo. Aquelas frutas que trouxe da caverna não são simples pedaços de vidro. São joias de grande valor. Tenho olhado pedras preciosas nas joalherias e nenhuma é tão grande, nem tem o brilho das minhas. A oferta delas, estou certo, comprará o favor do sultão. Aladim trouxe as pedras da cômoda onde as tinha escondido e sua mãe colocou-as num prato de porcelana. A beleza de suas cores assombrou a senhora, que ficou certa de que o presente não poderia deixar de agradar ao sultão. Ela cobriu o prato e as joias com um bonito pano de linho e saiu para o palácio. A multidão daqueles que tinham negócios na corte era grande. As portas estavam abertas e ela foi entrando. Colocou-se em frente ao sultão. Ele, entretanto, não tomou conhecimento de sua presença. Durante uma semana, ela foi lá diariamente, ocupando sempre o mesmo lugar. Afinal, ele viu-a e perguntou o que desejava. Tremendo, a boa mulher falou-lhe sobre a pretensão do filho. O sultão ouviu-a amavelmente e perguntou-lhe o que trazia na mão. Ela tirou o guardanapo de cima do prato e mostrou-lhe as joias cintilantes. Que surpresa teve ele ao ver tais maravilhas! Durante muito tempo, contemplou-as sem dizer nada. Depois exclamou:
Ele já havia determinado que a filha se casaria com um de seus oficiais; no entanto, disse a mãe de Aladim: - Diga a seu filho que ele desposará a princesa se me enviar quarenta tinas cheias de joias como estas. Elas deverão ser-me entregues por quarenta escravos negros, cada um dos quais será precedido de um escravo branco, todos ricamente vestidos. A mãe de Aladim curvou-se até o chão e voltou para casa pensando que tudo estivesse perdido. Deu o recado ao filho esperando que, com isso, ele desistisse.
Aladim sorriu, e quando a mãe se afastou, apanhou a lâmpada e esfregou-a. O
gênio apareceu no mesmo instante e ele pediu-lhe que arranjasse tudo que o
sultão havia pedido. O gênio desapareceu e voltou trazendo quarenta escravos
negros, cada um carregando na cabeça uma tina cheia de pérolas, rubis,
diamantes, esmeraldas, safiras e ametistas. Os quarenta escravos negros e outros
tantos brancos encheram a casa e o jardim. Aladim ordenou-lhes que se dirigissem
ao palácio, dois a dois, e pediu a sua mãe que entregasse o presente ao sultão.
Os escravos estavam tão ricamente vestidos que todos, nas ruas, paravam para
vê-los. Entraram no palácio e ajoelharam-se em frente ao sultão, formando um
semicírculo. Os escravos negros colocaram as tinas no tapete.
A princesa convidou o mágico para jantar em sua companhia. Enquanto comiam os primeiros pratos, ela pediu a um criado que lhe trouxesse dois copos de vinho, que ela havia preparado. O mágico, encantado com tanta gentileza, bebeu o vinho no qual ela havia derramado certa quantidade do pó. Suas ideias foram ficando meio confusas e ele pegou no sono. Aladim, que estava escondido atrás de uma cortina, veio depressa e apanhou a lâmpada do cinturão do velho. Depois mandou que os empregados o carregassem para fora do palácio e o deixassem bem longe dali. A seguir, esfregou a lâmpada e, quando o gênio apareceu, pediu-lhe que levasse o palácio de volta para a China.
Algumas horas mais tarde, o sultão olhando pela janela, viu o palácio de Aladim
brilhando ao sol. Mandou, então, dar uma festa que durou uma semana.
Do folclore
Então, o rei anunciou por todo o país que se alguém pudesse descobrir o segredo, e souber onde as princesas dançavam de noite, casaria com aquela de quem mais gostasse e seria o seu herdeiro do trono; mas quem tentasse descobrir isso, e ao fim de três dias e três noites não o conseguisse, seria morto. Apresentou-se logo o filho de um rei. Foi muito bem recebido e a noite levaram-no para o quarto ao lado daquele onde as princesas dormiam nas suas doze camas. Ele tinha que ficar sentado para ver onde elas iam dançar; e, para que nada se passasse sem ele ouvir, deixaram-lhe aberta a porta do quarto. Mas o rapaz daí a pouco adormeceu; e, quando acordou de manhã, viu que as princesas tinham dançado de noite, porque as solas dos seus sapatos estavam cheias de buracos. O mesmo aconteceu nas duas noites seguintes e por isso o rei ordenou que lhe cortassem a cabeça. Depois dele vieram vários outros; nenhum teve melhor sorte, e todos perderam a vida da mesma maneira. Ora, um ex-soldado, que tinha sido ferido em combate e já não mais podia guerrear, chegou ao país. Um dia, ao atravessar uma floresta, encontrou uma velha, que lhe perguntou aonde ia. — Quero descobrir onde é que as princesas dançam, e assim, mais tarde, vir a ser rei. — Bem, disse a velha, - isso não custa muito. Basta que tenhas cuidado e não bebas do vinho que uma das princesas te trouxer anoite. Logo que ela se afastar, deves fingir estar dormindo profundamente.
—Já não sou muito novo, respondeu, - por isso quero a mais velha.
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